A CVM emitiu uma instrução obrigando as companhias de capital aberto a divulgarem o valor dos salários dos diretores e conselheiros. Você concorda com a transparência dos salários?
Programa ajuda jovens de baixa renda a se tornarem aprendizes
terça-feira, 7 de julho de 2009

por Iuri Ribeiro

 

Famílias de baixa renda, com filhos adolescentes, pouca perspectiva e enorme defasagem nos estudos. Um cenário que se completa com o jovem trabalhando, muitas vezes na informalidade, para garantir o orçamento da casa. É o que se vê nos bairros pobres das cidades brasileiras. Quase uma tradição, questão até cultural, que se repete país a fora.

 

Para atenuar os efeitos desse quadro, o Programa Aprendiz Colmeia busca garantir oportunidades para quem mais precisa. Dedicado a jovens entre 16 e 24 anos, que estejam cursando ou tenham concluído o ensino médio em escolas públicas, o projeto abre uma janela para o mercado formal. “A bandeira da Colmeia é fazer com que os jovens tenham experiência profissional no sistema formal de trabalho”, conta Marisa Donatiello, psicóloga e coordenadora-geral da Colmeia – Instituição a Serviço da Juventude. De lá as empresas podem contratar seus aprendizes, que, por lei, devem representar 5% dos funcionários com formação profissional da empresa.

 

Para as companhias, há desafios e benefícios em contratar este grupo. Elas devem enfrentar as dificuldades de preparar profissionais crus, muitas vezes com lacunas no conteúdo, herdadas do ensino público. “Nenhum programa de aprendiz vai tirar essa defasagem de 11, 12 anos de estudo”, explica Eliane Martins, coordenadora de Capacitação e Inserção da Colmeia. Para contornar este problema a instituição orienta também as empresas durante o programa de aprendizagem. “Fazemos reuniões com os tutores, que cuidam dos jovens na empresa. Damos algumas dicas, uma espécie de treinamento para as empresas, de como supervisionar esse aprendiz” ressalta Eliane.

 

Por outro lado, a oportunidade será valorizada pelo jovem. “Eles querem esta oportunidade”, afirma Eliane. “E ter vontade de aprender e valorizar a oportunidade é muito mais importante do que a técnica”, completa. Para ela, é muito mais fácil para a empresa transmitir os conhecimentos da profissão a um jovem que agarra a oportunidade com unhas e dentes. “Porque a técnica a gente dá, vontade não se ensina”, conclui.

 

Novas perspectivas

 

O jovem que tem a oportunidade de ganhar conhecimento teórico aliado à experiência prática no mercado de trabalho amplia suas perspectivas de vida. Acreditando nisso, a Colmeia prepara os jovens e os orienta em seus primeiros passos no terreno incerto do mercado de trabalho. “Trabalhamos muito as expectativas dos jovens”, diz Marisa. “A grande maioria não tem experiência profissional, então procuramos trazê-los o mais próximo possível da realidade, fazendo visitas a empresas e conversando com profissionais”, completa.

 

Além de se prepararem para o ingresso no mercado formal nos cursos de Web Design e Assistente Administrativo, as duas opções que o programa de capacitação da Colmeia oferece, os jovens da instituição passam por um processo de orientação vocacional. A orientação mudou o modo como Rodrigo Figueredo Gil enxerga seu futuro. “Eu sempre quis trabalhar com informática”, comenta. “Hoje eu estou fazendo faculdade de Administração e Marketing e busco oportunidades na área”, continua. “Escolhi porque fiz bastante teste vocacional, o que me ajudou muito a descobrir o que tinha a ver comigo”, conta o jovem de 19 anos, que há quatro meses foi promovido a auxiliar administrativo na empresa Construcap, aonde passou pouco mais de um ano como aprendiz.

 

Orientação e treinamento

 

A orientação vocacional foi integrada ao programa de formação dos jovens quando se percebeu que era necessário trabalhar também seus sonhos e projetos de vida. “Antes nós fazíamos a capacitação preocupados somente com a questão da profissionalização”, explica Marisa. “Mas quando o jovem busca um curso de capacitação, ele vem pela oportunidade, então levamos profissionais do setor de orientação vocacional para a grade do curso de qualificação”, diz a psicóloga, que vê a experiência como uma plataforma para o jovem. “Uma vez aprendiz e futuramente funcionário em outro cargo, ele vai ter recursos para investir em seu verdadeiro sonho profissional”, afirma.

 

Os adolescentes que passam pelas 240 horas do programa de capacitação sentem-se plenamente seguros para enfrentar os desafios da vida profissional. “Eu vou ter um conhecimento a mais, sobre como me portar em processos seletivos, e o conhecimento básico de assistente administrativo, que pessoas que não buscaram um curso profissionalizante não têm”, conta Valquiria de Souza Santos, de 18 anos, que está há três meses no curso de assistente administrativo. “Já tenho a noção de como me comportar numa empresa, como me vestir e participar de processos seletivos”, complementa Pauliny de Lima Santos, dois anos mais nova, na mesma turma de Valquiria.

 

Serviço:

 

Colmeia - Instituição a Serviço da Juventude

Rua Marina Cintra, 97 - Jd. Europa - São Paulo

Tel. (11) 3881-1545 - colmeia@colmeia.org.br 

www.colmeia.org.br 

Nome Email
Comentário
Comentários
Boa materia,orienta e esclarece ao jovem que se encontra sem perspectivas de futuro.Faltou apenas informar de como se pode participar do programa,o procedimento a ser feito.
Postado por luis lopes dos santos ferreira   em 9/7/2009 - 12:00
Iuri, agradecemos imensamente a matéria sobre aprendizes. certamente ela ajudará a prospectar mais oportunidades aos jovens. grande abraço, marisa e eliane
Postado por marisa e eliane   em 8/7/2009 - 15:36